Por Flávio Alexandre Cavalcante
Caros colegas, todos os times passam por crises. E nós, assim como grande parte do Mundo subestimamos as crises. E não digo da crise financeira, mas sim da ressaca pós cruzeiro. Pensando no futuro proponho algumas sugestões para minimizar o impacto das crises.
1. Dizer sempre a verdade. Chamar as coisas pelo nome, sem eufemismos, e ser responsável. Não mentir nunca. O processo de demissão e contratação do Muricy foi tomado em tempo pouco propício. Percebeu-se claramente que houve uma pressão da diretoria. E isso enfraquece o time. Quem sabe na semana seguinte, uma fala clara e limpa, esclarecendo 100% do que ocorreu. A torcida quer acreditar no time.
2. Jamais ficar em silêncio. As empresas, em situações de crise, têm o dever moral de informar. O silêncio como resposta aumenta a percepção negativa da situação porque se você não disser o que está fazendo, outros também não dirão. Acho que uma entrevista coletiva como foi dada sábado deveria ter o Rogério (líder e ídolo) pois nele nós confiamos.
3. Aproveitar a oportunidade para começar de novo. Toda crise é uma oportunidade para fazer um balanço e corrigir erros. As empresas olham excessivamente para o próprio umbigo, mas há inúmeros aspectos a melhorar. Contratações equivocadas, profissionais desmotivados, posições invertidas em campo. Tudo! Fechar para Balanço.
4. Preparar-se e prevenir-se. A gestão correta de uma crise passa pelo preparo. As crises chegam sem avisar. Uma empresa preparada evitará prejuízos econômicos e pessoais elevados. Precisamos ter uma equipe para gerir a crise e tais profissionais não podem ser passionais, nem torcedores.
5. Ser proativo. Sucumbir ao medo paralisante e deixar que o tempo passe sem tomar providência alguma são dois erros muito comuns. Diante de uma crise, deve-se sempre adotar um papel proativo e tomar as rédeas da situação antes que outros o façam. O comunicado da demissão do Muricy deveria ter sido feito na Sexta a noite pela diretoria e com toda ética possível e avisar que estaríamos procurando um novo técnico. Um período de 1 dia, dá toda diferença, posto que demonstra um LUTO e por conseguinte a importância do técnico que sai.
6. Transmitir confiança. O objetivo de toda crise consiste em restituir à empresa sua situação inicial. Par que isso aconteça, devem-se gerir as percepções para que o público afetado recupere a confiança perdida. Aqui vai uma fala para a torcida, posto que pixar muro não é o correto. A torcida quer apenas confiar.
7. Pôr em ação o comitê de crise. Os integrantes do comitê devem saber muito bem o que deve ser feito a cada momento, jamais improvisando coisa alguma. Lembremos do Tele… para os outros pode até soar como improviso, mas pra nós tem que ser improviso treinado a exaustão.
8. Comunicar interna e externamente. Se é importante o que se diz ao público externo à empresa, não é menos importante o que se deve dizer internamente. O público interno deve se manter informado pelos meios criados pela empresa para esse fim, e não por terceiros, já que isso gera rumores tóxicos. Os blogs e as notícias das ‘Rádio peão’ devem ser evitados, posto que só denigrem a imagem do são paulo (instituição).
9. Administrar as emoções. As crises afetam as pessoas. Portanto, antes de se preocupar com as questões econômicas, deve-se levar em conta aspectos relacionados à saúde e à segurança, sobretudo em casos graves ou excepcionais. Torcida ser passional é possível, direção, técnico, jogadores não. Temos que ser frios nesse momento.
10. Seguir o manual de comunicação da crise. Essa é a melhor ferramenta para lidar com qualquer crise. O manual é o mapa que toda empresa deve seguir diante dos imprevistos. Infelizmente, ele está ausente da maior parte das empresas de todo tipo e porte.
Aos diretores do São Paulo informo que podem contar comigo para o que for necessário, trabalharei de graça e o tempo que for necessário pela Instituição. Saibam que milhões de outros Flávios fariam isso. Só queremos voltar a ser Aquele São Paulo que contrata certo, que treina mais que os outros, que paga em dia, que não faz loucuras, que dá raça em campo, que não tem crises na mídia (pois sabemos que elas acontecem todos os dias, só não podem ir pra a mídia), que não demitem técnico, que não tem muro pixado… Assim a tomada de decisão sobre jogadores comprometidos é o início da mudança, podemos até perder, mas com garra, dando carrinho de cabeça e não poupando o corpo. O uniformer branco do São Paulo tem que ser um demonstrativo de Raça, enquanto mais sujo, mais pegada tem o time.
Aos torcedores solicito que sejamos TRIUNFANTES e entendamos que algum dia o ciclo iria (ou irá) se finalizar. Adoro Libertadores, mas não é todo dia que temos um TRI-HEXA. Apoiar o Ricardo Gomes não é trair o Muricy, posto que antes de técnico o Muricy é torcidor do São Paulo. Não pixemos muro, pois isso é coisa de Corinthiano e Flamenguista. Acreditemos em quem desde sempre nos dá motivos para sorrir, mas se perdemos entendamos que faz parte do jogo. E que somos superiores a isso! Se quiser protestar, não vai ao Morumbi, não compra camisa, não vê jogo pela Televisão, boicota a LG… Nunca violência e pixação.
Aos jogadores peço que entendam que nós pagamos os seus maravilhosos salários e queremos retorno. Entendemos que as dificuldade vieram, que tudo está mais complexo e que os outros jogadores e times também se reforçam e treinam para vencer. Não queremos vencer sempre, apesar de estarmos mal (bem) acostumados, e sim ver raça em campo.
Obrigado e saibam que podem contar comigo gratuitamente.
Flávio Alexandre Cavalcante